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Massagem e aromaterapia auxiliam na reabilitação de animais lesionados

Imagem: Reprodução

“Estudar a aromaterapia foi uma surpresa pra mim, porque se trata de uma técnica totalmente científica e não energética e vibracional como eu imaginava”. Essas são as palavras da fisiatra veterinária da Clínica Mundo à Parte (Porto Alegre/RS), Silvana Simas, em relação ao método utilizado na Fisioterapia de animais de companhia.

Como a profissional menciona, a ideia de unir aromas ao tratamento de indisposições físicas e mentais vem de uma civilização muito antiga. “Se pararmos para pensar, foram as plantas e seus componentes que nos mantiveram vivos desde os primórdios da humanidade”, defende. Há relatos de que no Antigo Egito, como mencionado por Silvana, as pessoas utilizavam ervas aromáticas na mumificação e nos ritos religiosos com a queima de algumas plantas. “Na Grécia e Roma Antiga, eles colocavam plantas no banho a fim de reduzir inflamações, cicatrizar ferimentos e perfumar”, adiciona.

Para a fisiatra, é preciso saber sobre alguns conceitos básicos que acercam o tema para evitar conflitos de informações e de definições. Aromaterapia, segundo ela, é o estudo dos óleos 100% naturais, de origem botânica conhecida e de composição química completa. Por sua vez, a aromacologia estuda o efeito dos aromas, não necessariamente de óleos, e não diferencia naturais de sintéticos. Já a aromatologia pesquisa óleos essenciais e matérias aromáticas. “Temos o Instituto Brasileiro de Aromatologia (IBRA, Belo Horizonte/MG) que envolve as diversas áreas do conhecimento, não só a parte da aromaterapia, mas de Psicologia, Gastronomia, Medicina Veterinária e muitas áreas que podem utilizar a técnica com plantas”, denota.

Substâncias. A profissional explica que os óleos essenciais são diferentes de florais, que por sua vez são diferentes de essências. “Óleos essenciais têm composição química, podem interagir com medicamentos alopáticos e podem intoxicar, exigindo cuidado com o uso. Os florais não têm composição química e oferecem um tratamento energético. Já as essências são substâncias sintéticas de aroma padrão e que não apresentam ação terapêutica”, distingue.

Para conhecer o que há dentro de cada óleo essencial, Silvana aponta a cromatografia, estratégia utilizada especificamente para essa investigação. “Cada óleo possui uma composição química diferente, compostos químicos que são majoritários ou não e isso influencia na sua ação terapêutica. A lavanda, por exemplo, tem três espécies mais utilizadas e que são distintas, sendo que cada uma contém componentes opostos, indicadas para inúmeras terapias”, cita.

Outro fator destacado pela fisiatra são as notas aromáticas: “Elas possuem três níveis diferentes: a alta, que vaporiza rapidamente e tem um efeito forte, sendo o primeiro cheiro que se sente quando abre o vidro; a média, que permanece de três a quatro horas no local, e a baixa, com aroma discreto e sutil, mas perdura por até quatro horas após a aplicação”, explana. A conotação olfativa dessas notas pode ser floral (suave), cítrica (refrescante), herbal (associação de suave e cítrico), amadeirada (remete à secura) ou de especiarias (notas bem peculiares).

Óleos essenciais são, de acordo com Silvana, substâncias químicas possíveis de encontrar em todas as plantas, em diversas partes do mesmo vegetal, inclusive. “É importante lembrar que a quantidade de moléculas odoríferas captadas em uma expiração de um cão é muito maior do que a nossa, então, é preciso prestar atenção na diluição desses óleos, utilizando 2%, no máximo”, pontua a profissional que ainda exibe a capacidade de captação olfativa nos cães: “É mil vezes maior do que a dos humanos”.

Vale lembrar. Passando a técnica da aromaterapia para a massagem, Silvana destaca que, primeiramente, é imprescindível respeitar as diferenças e saber que a pele dos humanos é diferente da pele dos animais. “É importante orientar os proprietários sobre esse detalhe. Tanto nossa pele, quanto a dos cães, tem natureza lipofílica, sendo assim, os óleos penetram facilmente na derme e na epiderme”, indica.

A massagem, segundo a profissional, vem desde a pré-história, já que existem relatos do uso de balsamos e ervas medicinais friccionadas na pele para cura de lesões e proteção de infecções. “Hoje em dia, sabemos que a indústria farmacêutica é forte, mas o que ela manipula nada mais é que compostos químicos originados das plantas, só que sintéticos e utilizando combinações isoladas. O aproveitamento desses óleos com diversos compostos é o que permite que ele tenha efeito ansiolítico e antimicrobiano ao mesmo tempo, por exemplo”, realça.

A estimulação mecânica consiste na manipulação dos tecidos moles do corpo e é realizada por aplicação rítmica de pressão e estiramento, como comenta a fisiatra, favorecendo a circulação sanguínea e linfática. “As propriedades da massagem são: relaxante e analgésica. Ela pode ser lenta e superficial ou nutritiva e tonificante, no caso das rápidas e profundas”, mostra e lembra a questão do toque: “Na Índia, já se sabia que o contato com os bebês era extremamente importante para aumentar a ligação com a mãe. Dentro da Medicina Veterinária serve para relaxamento, redução de estresse, entre outros benefícios, o que inclui, também, o fortalecimento do vínculo do tutor com o animal. A massagem gera bem-estar do paciente e melhora o funcionamento da mente e do corpo”, sinaliza.

Como efetivar? Quando é feita a compressão da pele, é possível alcançar reflexos que estimulam os receptores periféricos, as vias aferentes, a medula e, por fim, o cérebro, resultando na produção de ocitocina, que reduz o medo, o estresse e melhora o relacionamento com o tutor, como dito pela profissional. “Os estímulos podem ter efeitos mecânicos pela compressão realizada durante a massagem e isso influencia os tecidos e, ainda, beneficia o sistema sanguíneo e linfático, eliminando os componentes inflamatórios presentes no local”, esclarece.

Quando o paciente chega na clínica, a primeira atitude tomada por Silvana é a palpação. “Nela, já iniciamos um vínculo, já que a chegada do paciente, muitas vezes, é um pouco tensa, principalmente, por ansiedade. Nessa palpação, percebemos as regiões de dor, de espasmo muscular, atrofia, regiões inflamadas pela presença do calor ou regiões isquêmicas”, conta.

A massagem relaxante, segundo ela, é uma forma de iniciar a técnica, sendo ministrada com as mãos ou com uma escova de cerdas macias. “Gosto de indicar essa massagem a pacientes com lesão na coluna”, compartilha. Dentro da técnica de deslizamento, segundo ela, existem movimentos específicos para os variados problemas apresentados pelos cães. “Mas, essa ação deve ser suave, semelhante ao ato de acariciar, profunda, para redução de edemas e remoção de agentes inflamatórios, e pode contar com a utilização de pomadas ou óleos essenciais”, complementa.

Na musculatura do animal, existem pontos que se tornam dolorosos quando ativados durante uma lesão muscular, estresse físico ou emocional, que são chamados de trigger points. “São fáceis de encontrar e estão localizados em músculos, tendões, ligamentos, na fáscia e na pele. A pressão pode ser de 20 segundos, repetindo de três a quatro vezes, seguido de um alongamento para finalizar”, ensina. Já a fricção transversa profunda, como ela menciona, auxilia na restauração da mobilidade das estruturas e deve ser realizada pressão com os dedos nos pontos de acupuntura, com pequenos movimentos circulares mantendo a pressão constante.

“Aromaterapia com massagem é queijo com goiabada, combinam perfeitamente. E essa é uma técnica extremamente interessante que deve ser difundida com afinco dentro da Medicina Veterinária, porque o resultado é muito gratificante”, finaliza.

Fonte: Cães e Gatos Vet Food